|
* Matéria publicada no Jornal do Brasil, caderno Ecologico, edição abril/2010
BIOMODA NA VITRINE

Resultado do esforço das próprias confecções & afins no sentido de elaborar produtos pró-meio ambiente (leia-se ecológico), a presença dessas grifes nas feiras de moda é cada vez maior. Nos lançamentos 'oficiais' do Rio e São Paulo, a cada nova temporada um número mais expressivo de marcas prestigiosas registra essa preocupação - que acaba chegando também ao consumidor. Mesmo com um preço um pouco maior, o valor agregado que essa conscientização fashion carrega acaba por conquistar novos nichos do mercado.
Numa 'onda de choque positivo', também as feiras regionais estão mostrando em seus estandes uma quantidade significativa de marcas que passaram a colocar em suas coleções materiais com esse viés - e até mesmo reestruturar sua linha de produção dentro de um conceito ambiental sustentável.
Um exemplo disto é a Minas Trend Preview, principal evento de prévias de estação do calendário nacional, que escolheu a 'Água' como tema da sua edição de 27 abril / 1º.maio 2010, com as tendências para o verão 2010/2011. Além do próprio tema da feira, algumas marcas expositoras da mostra já vem mostrando essa sua ligação com a questão ecológica. Entre elas podem ser citadas a Mary Design (com forte citação eco em suas bijuterias), o estilista de bolsas Rogério Lima (sucesso com suas bags feitas de sacos de cimento e pets recicladas), a Guilhermina (produtos em couro animal com procedência legalizada e selo do Ibama), a grife Can-Can (palmilhas de palha, detalhes em corda sisal no salto e lona nos cabedais), a Cosmopolita (que faz bolsas em crochê, bordadas em palha de seda, madeira de reflorestamento), os sapatos da Paula Bahia (couro de cobras criadas em cativeiro e atestadas pelo Ibamna), a Dilly (sapatos com saltos em fibra natural) e o incrível trabalho do estilista Celso Afonso (lona de algodão, linhão rústico e palha natural) que consegue reunir ótimo design, tendência apurada e um apelo sócio-ambiental cada vez mais abrangente. Como diferencial de mercado, são dados animadores.
VAIVÉM
* O grupo PETA apontou sua ira para a prestigiada Hermès, que estaria usando peles de crocodilos e cobras, abatidos, na Indonésia, com crueldade. O grupo ganhou visibilidade, há anos, mostrando cenas da matança de focas no Pólo Norte e jogando tinta em peças de roupas feitas com pelos & peles para celebridades. Com dois milhões de seguidores no mundo, o grupo já estava mesmo precisando voltar à luzes - e a Hermès, todo mundo sabe, é publicidade certa.
- Tem banana na cueca. A ideia é da marca de underwear masculino AussieBum, da Austrália, que está vendendo peças com até 27% de fibra de bananeira na sua composição - e, assim, ganhando conotação de roupa ambientalmente correta. O sucesso é enorme e a campanha mostra um guapo levando seu cacho de banana-da-terra só de cuecas. No mercado, já existem cuecas feita com fibras de bambu e com o confortável modal - cujo fio é extraído da madeira.
- A ideia da Animale e da Reserva, no sentido de aproveitar produtos sintéticos descartáveis para fazer roupas, vai se expandindo. A estilista Deborah Lindquist, junto com a Sonic Fabric, lançou tecido onde a composição leva restos de fita K7 - que iriam para o lixo. Evita a poluição e ainda criam um tecido com brilho interessante.
- PONTO FINAL. Cada vez mais sintonizada com as coisas da natureza, a nossa Giselle Bündchen acaba de lançar a linha de cosméticos Sejaa Pure Skincare - toda feita com substâncias orgânicas e certificados. Mais que isto: sem conservantes sintéticos. Por enquanto só nos States, mas breve estará por aqui.
|